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Maquiando em Pouso Alegre

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quebrando regras chatas #1: Lápis colorido

 Hoje vou postar um exemplo de como eu uso lápis colorido:





Uso aquela combinação de sombra marrom e nude que vai bem com qualquer cor e delineio em duas camadas: uma mais grossa, com o lápis colorido (usei o verde da Archy) e uma mais fina, com delineador em gel.

perdoai as fotos toscas, tirei com pressa

Acho legal porque você fica com uma sombra que mal aparece, ótima pra encarar qualquer lugar chato que não aceite coisas muito extravagantes, mas adiciona um toque de cor...



Uma vez, quando eu estava no curso de maquiagem usando uma versão mais desbotada deste look, ouvi que lápis colorido é só para adolescentes, e que eu só precisaria ter na maleta lápis preto e marrom.


Minha reação:




Claro. Por que a Urban Decay, que produz  lápis caros, focados no público adulto, produziria lápis de todas as cores?! Porque pouquíssimas adolescentes tem poder de aquisição para possuir uma belezinha daquelas. E o negócio vende feito água no deserto...

Não tem lógica. Nem se você for escrava de tendências.

 Quer dizer então que sua cartela de possibilidades vai diminuindo de maneira inversamente proporcional à sua idade. Então, quando eu chegar nos 40 terei de me resignar ao marrom e preto eternos porque a autoexpressão, as cores, a ousadia e a irreverência são privilégios das meninas de pele lisinha. Imagino que espécie de maquiadora eu seria se anulasse a liberdade da cliente e minha própria criatividade em nome da ditadura fashion...

 Ditadura caduca, porque nunca se lembra do que ditou na estação anterior e nem tem vergonha de se contradizer. Um dia era a sombra iluminadora que não podia mais usar no osso da sobrancelha; noutro, era a base que teve seu fim decretado. E agora o lápis e rímel colorido estão vetados.

Pffft. Eu rio pra não chorar. Como vocês sabem, eu me permito o que eu desejar e permito também o que a cliente desejar à medida do possível, ainda que precise fazer pequenos ajustes para harmonizar o resultado final. Mas o resultado mais harmonioso sempre vai ser quando eu e a cliente nos olharmos no espelho e encontrarmos a nós mesmas como nos enxergamos, como nós queremos ser.

E você, acha que vale restringir um pouco as cores e brilhos em nome da adequação? Como lida com isso? Deixe sua opinião! :)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quac! - NYX no Brasil


Não é novidade pra ninguém que o pessoal fode avacalha mesmo com as consumidoras brasileiras. Produtos de procedência duvidosa e preços imbecis são colocados e deixados à venda. Produtos de qualidade mediana têm preço de produtos de qualidade excelente, e estes têm preços de produtos de luxo. Até hoje não entendi os preços das marcas O Boticário e Contém 1g (sendo que esta última está tendo delírios de grandeza extrema). Nem todos os produtos destas marcas são excelentes. Uma vez testei o primer da Contém e, puxa vida, viu, eu quase ri na cara da vendedora quando ela disse que aquele negócio custava mais de R$100,00. O mesmo caso do quarteto de sombras Make B. d'O Boticário. R$60,00? Quê isso?! Por quatro tequinhos de sombra de pigmentação mediana? Vão sonhando que vão conseguir me empobrecer por um produto desses.

 Vamos comparar estas duas marcas à marca americana Nyx. Esta é uma marca famosa na blogosfera pelos produtos de boa qualidade e preços incríveis. Tem um milhão de cores de batons, sombras e blushes para se escolher, a preços módicos (algo em torno de US$2,00 um batom, US$4,00 um blush e US$3,00 uma sombra). Vai ali no Uol Economia fazer a cotação disso em reais.

 Então é óbvio que muitas meninas têm ojeriza das marcas nacionais, e acabaram se tornando adeptas de marcas estrangeiras. E assim as marcas vêm vender nos nossos shoppings. E lá estava eu, de férias, passeando no shopping quando me deparei com um quiosque da Nyx. Oh, a felicidade de poder testar os blushes e sombras e bases e pós! No ano passado eu tinha visto numa loja online um produto da marca que chamou minha atenção: um pó com embalagem que vai moendo o produto (Nyx Grinding Powder). 11 dólares. Só não comprei porque estava incerta em relação à cor, então pode-se imaginar a minha alegria de poder testar as cores no quiosque. Pozinho testado, cor ok, disse pra moça "^-^ vou levar, quanto dá?"... Oh, a inocência interiorana. "R$110,00 ^-^", foi o que ela me respondeu (aí eu tive que abaixar pra catar meu queixo e juntar coragem pra dizer que não ia levar o produto após experimentar quase tudo do quiosque). Então. O mesmo preço, só com um zerinho a mais na frente.

 Esses produtos tinham tudo pra vender que nem água no deserto aqui, pela qualidade e pelo preço. Mas os caras acabaram de destruir as chances que a marca tinha de prosperar no país, porque não precisa ser muito esperta pra perceber que isso aí é RIDÍCULO, um assalto.

 Resultado: todas passaram a comprar através de lojas online. O que, com certeza, gerou um impacto negativo nas vendas das lojas físicas no Brasil. E como eles resolveram lidar com este fenômeno? Abaixando os preços? Nãããããão. Claro que não. Se as marcas nacionais exploram e a gente ainda junta as pratas e compra, é inocência pensar que as estrangeiras vão perdoar. Eles certamente observam o mercado nacional, as reações do consumidor aos produtos baratos (é de pobre, não presta, é creuzo) antes mesmo de experimentá-los, a adoração às marcas estrangeiras e o desejo de exibir produtos caros por status. Tudo isso contribui para o encarecimento dos produtos de qualidade.

E, quando as consumidoras finalmente se recusam a pôr mãos ao alto, todas as liberdades maravilhosas prometidas pelo capitalismo se findam e a empresa exerce seu direito de explorar: A Nyx proibiu a revenda de seus produtos em lojas virtuais para o Brasil, pois praticam preços "diferenciados" em nosso país. É isso mesmo. Daqui pra frente, se quiser comprar os produtos da marca, terá que fazê-lo em lojas físicas deixando que levem os olhos da sua cara. É claro que muitas lojas ainda revendem e não estão nem aí, mas a tendêncía é que a fiscalização aumente. A Cherry Culture, por exemplo, já deu um aviso dizendo que "as brasileiras que comprarem produtos Nyx podem ter seus pedidos não atendidos devido às políticas da marca em seu país".

Aí eu penso: "Quac quac quac!". Meu rico dinheiro não vai se prestar nunca mais a financiar uma marca que acha que as brasileiras são macacas numa selva sem internet, sem informação, sem nenhuma noção da realidade. Eu apóio o boicote que muitas meninas estão fazendo.

 Por mim, pegava uma faixa e saía na rua protestando, mas como não quero parar no CAPS daqui de Pouso Alegre, achei melhor expressar a revolta aqui no bloguinho.

 E você, como lida com os preços? Vai aceitando tudo e pagando como pode ou se questiona sobre até que ponto é válido dar lucros mirabolantes às empresas?










 

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